Excelsior, a máquina do som


A PRG-9 Rádio Excelsior foi fundada em 11 de novembro de 1934 por Paulo Machado de Carvalho, proprietário da PRB-9 Rádio Record. Sediada no mesmo prédio da então Organização Record, na Praça da República, a Excelsior, cujo slogan era "A voz querida da cidade", inicialmente operava em 1100 kHz e era destinada ao gosto da elite paulistana, com programas culturais, missas e até mesmo uma atração dedicada ao turfe. Devido a popularidade das transmissões das missas da Igreja Nossa Senhora do Carmo, a programação da emissora mudou em maio de 1936. Após um acordo entre a Arquidiocese de São Paulo e Paulo Machado, a Excelsior virou a Voz de Anchieta, propagandeada como "a primeira estação católica do mundo". Desse período, teve entre seus locutores o cônego Manoel Correa de Macedo, o advogado e radialista Tito Lívio Fleury Martins e o comunicador Renato Macedo. Em 1938, a Excelsior deixou a sede da Record.


Década de 1950



1951
1952

Em 1953, o empresário Victor Costa fundou as Organizações Victor Costa (OVC) e adquiriu as rádios Cultura (atual Cultura Brasil) e Excelsior, que passou a ser co-irmã da Rádio Nacional (hoje extinta Rádio Globo São Paulo) e foi transferida para os 670 kHz. Nessa época, foram irradiados programas como o Ecos da Broadway, apresentado por Renato Macedo e Moacyr Expedito, e o Swing Show, comandado por José Cândido Cavalcante, que contava também com o jornalista Antônio Aguillar como produtor de programas de auditório. Já no início da década de 1960, o programa O pick-up do pica pau, de Walter Silva, era sucesso de audiência

Março de 1963
Em 1966, o empresário e jornalista Roberto Marinho comprou todas as empresas de comunicação da OVC, incluindo a Rádio Excelsior. Como reflexo dessa mudança, em 1968 a emissora teve sua programação reformulada. Precedendo as futuras rádios FMs, a Excelsior criou uma programação totalmente direcionada para o público jovem e focada em sucessos da música pop da época. Competindo diretamente com a Rádio Difusora 960 kHz, a Excelsior era dirigida pelo radialista Antonio Celso, autor do slogan Viaje com a Excelsior, a Máquina do Som. Entre os programas dessa fase, na década de 1970, estavam o Pediu, Tocou, Ganhou e o Peça Bis Para o Sucesso, que contavam com a participação de ouvintes via carta ou telefone. O repertório, baseado em sucessos nacionais e majoritariamente internacionais, foi mantido até meados de 1980, quando Antonio Celso deixou a emissora. Boa parte do repertório desta época pode ser conferido na série de LPs Excelsior - A máquina do som (editados em 1970 e 1972 pela Tapecar, em 1973 pela Top Tape e entre 1974 e 1980 pela Som Livre). O disc jockey Big Boy (Newton Alvarenga Duarte) também tinha um programa na Excelsior. Em meados de 1976, mudou sua frequência para 780 kHz.

Em 1979, o Sistema Globo de Rádio criou a Excelsior FM 90,5, que herdou a programação musical jovem da velha Excelsior AM, que por sua vez, a fim de concorrer com a Jovem Pan e a Bandeirantes, voltou-se ao esporte, ao jornalismo e ao entretenimento a partir de 1980. Entre as atrações, estava o Balancê, programa de variedades apresentado por Osmar Santos e que teve Fausto Silva como repórter. Funcionou também como segundo canal da Rádio Globo SP na transmissão de partidas secundárias de futebol (e às vezes o jogo principal em dobradinha), as corridas de Fórmula 1 e outros esportes. Na mesma época, teve como entre seus destaques o noticiário Ouça, que ia ao ar entre 7h e 9h, e o Programa Ferreira Neto, que ia ao ar nos finais da tarde.

Outro destaque desta época foi o Jornal da Excelsior, que era apresentado por Heródoto Barbeiro e com a participação de toda a equipe de jornalismo da emissora. Seu slogan era A informação de São Paulo. Entre os locutores, comentaristas e jornalistas que trabalharam na época, estão Joelmir Beting, Celso Ming, José Nello Marques, Miguel Dias, Lilian Witte Fibe, Rui Martins, Nelo Rodolfo, Luiz Lopes Correa, Haisem Abaki, Celso Antônio de Freitas, Cléo Medeiros, Roberto Silva, Braga Júnior, Zelda Mello, Rubens Palli, Marcelino Domênico, Samuel Lopes, Bueno Ferraz, Mauro Machado, Milton Parron, entre outros. Foi o embrião da Central Brasileira de Notícias (CBN), rede de rádio jornalística. A Excelsior entrou no ar pela última vez em 30 de setembro de 1991, sendo substituída pela CBN São Paulo no dia seguinte.


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